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Renda fixa

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Introdução

Na renda fixa brasileira, a dúvida clássica é: Prefixado ou IPCA+? Em 2025, com juros ainda elevados e inflação mais comportada do que nos últimos anos, a escolha depende de duas coisas: quanto você acredita que será a inflação e por quanto tempo pretende carregar o título.


1) O que comparar

  • Prefixado: você trava uma taxa nominal hoje. Ex.: 11% a.a.
  • IPCA+: você trava uma taxa real (acima da inflação). Ex.: IPCA + 6% a.a.

Para “empatar” os dois, usamos a inflação de equilíbrio.

Fórmula da inflação de equilíbrio

\[
(1+i_{\text{prefix}}) \;=\; (1+r_{\text{real}})\,(1+\pi^*)
\quad\Rightarrow\quad
\pi^* \;=\; \frac{1+i_{\text{prefix}}}{1+r_{\text{real}}}-1
\]

Exemplo: \(i_{\text{prefix}}=11\%\) e \(r_{\text{real}}=6\%\).
\[
\pi^* = \frac{1{,}11}{1{,}06}-1 \approx 0{,}0472 \;=\; \mathbf{4{,}72\%}
\]
Se a inflação realizada ficar abaixo de 4,72%, tende a ganhar o Prefixado. Se ficar acima, tende a ganhar o IPCA+.

Gráfico — Inflação de equilíbrio: quando o IPCA+ empata com o Prefixado

2) Cenários práticos (3 anos, R$ 1.000)

Considere investir R$ 1.000 por 3 anos. Vamos comparar:

  • Prefixado 11% a.a.
  • IPCA+ 6% a.a. real (nominal = \((1+0{,}06)(1+\pi)-1\))

Gráfico — Valor final de R$1.000 em 3 anos (cenários de inflação)

Leitura rápida:

  • Com inflação de 3%, o Prefixado tende a entregar valor final maior.
  • Com 5%, os dois ficam próximos (perto do breakeven).
  • Com 7%, o IPCA+ tende a superar o Prefixado.

3) Quando escolher cada um

Prefira Prefixado quando…

  • Você acredita em inflação abaixo do breakeven (ex.: < 4,7%).
  • Seu horizonte é definido e você não pretende vender antes.
  • Você quer previsibilidade nominal (saber “quanto dá” ao ano).

Prefira IPCA+ quando…

  • Você deseja proteger o poder de compra no longo prazo.
  • Projeta inflação mais alta que o breakeven ou tem incerteza sobre preços.
  • Quer participar de quedas de juros reais no preço do título (MM).

4) Riscos e cuidados

  • Marcação a mercado: antes do vencimento, o preço oscila. Quanto maior o prazo/duration, maior a oscilação.
  • Liquidez: se pode precisar do dinheiro, evite prazos longos.
  • Crédito: em papéis privados, avalie rating, spread e garantias.

5) Conclusão

Não existe “melhor absoluto”. Em 2025, a decisão passa por inflação implícita e horizonte. Use a inflação de equilíbrio como régua simples: abaixo dela, Prefixado tende a vencer; acima, IPCA+. Combine com a sua necessidade de previsibilidade e tolerância à oscilação no caminho.

 

Introdução

A marcação a mercado ajusta diariamente o preço de um título ao valor que seria negociado hoje. Quando a taxa de juros sobe, o preço do título cai; quando a taxa cai, o preço sobe. Para estimar quanto o preço pode variar, usamos três medidas: duration, convexidade e a sensibilidade (combinação das duas).


Exemplo base (que usaremos nas contas)

  • Valor de face (FV): R$ 1.000
  • Cupom: 10% a.a. (R$ 100 ao ano)
  • Prazo: 5 anos
  • Taxa de mercado (YTM): 12% a.a.

Os fluxos: \( CF_1=CF_2=CF_3=CF_4=100 \) e \( CF_5=1{.}100 \).


1) Como chegamos à Duration (com números)

(a) Desconto de cada fluxo

\[
PV_t=\frac{CF_t}{(1+y)^t}
\]

Com \(y=12\%\):

\[
\begin{aligned}
PV_1 &= \frac{100}{(1{,}12)^1} = 89{,}29 \\
PV_2 &= \frac{100}{(1{,}12)^2} = 79{,}72 \\
PV_3 &= \frac{100}{(1{,}12)^3} = 71{,}18 \\
PV_4 &= \frac{100}{(1{,}12)^4} = 63{,}55 \\
PV_5 &= \frac{1{.}100}{(1{,}12)^5} = 624{,}17
\end{aligned}
\]

(b) Preço = soma dos PVs

\[
P = 89{,}29+79{,}72+71{,}18+63{,}55+624{,}17 = 927{,}90
\]

(c) Pesos (importância de cada fluxo)

\[
w_t = \frac{PV_t}{P}
\]

\[
\begin{aligned}
w_1 &= 0{,}0962 \\
w_2 &= 0{,}0859 \\
w_3 &= 0{,}0767 \\
w_4 &= 0{,}0685 \\
w_5 &= 0{,}6727
\end{aligned}
\]

(d) Duration de Macaulay

\[
D_{mac} = \sum t \cdot w_t = 4{,}14 \; \text{anos}
\]

(e) Duration Modificada

\[
D_{mod} = \frac{4{,}14}{1{,}12} = 3{,}69
\]

Leitura: uma alta de 1 p.p. nos juros gera queda de ~3,69% no preço.

📊 gráfico 1 — Preço × Taxa: curva real vs reta da duration

2) Como chegamos à Convexidade (com números)

\[
Conv = \frac{\sum CF_t \cdot t(t+1) / (1+y)^{t+2}}{P}
\]

\[
\begin{aligned}
t=1 &:\; 142{,}36 \\
t=2 &:\; 381{,}31 \\
t=3 &:\; 680{,}91 \\
t=4 &:\; 1{.}013{,}26 \\
t=5 &:\; 14{.}927{,}52
\end{aligned}
\]

Soma = 17.145,36 →

\[
Conv = \frac{17.145,36}{927,90} = 18,48
\]

📊 gráfico 2 — Curva real vs aproximação com convexidade

3) Sensibilidade: Duration + Convexidade (com valores em R$)

\[
\frac{\Delta P}{P} \approx -D_{mod}\cdot \Delta i + \tfrac{1}{2}\cdot Conv \cdot (\Delta i)^2
\]

Com \( D_{mod}=3,6924 \), \( Conv=18,4775 \), e preço \( P=927,90 \):

🟠 Caso 1 — Alta de +0,50 p.p. \((\Delta i = +0{,}005)\)

\[
\begin{aligned}
\Delta P/P &= -D_{mod}\cdot \Delta i + \tfrac{1}{2}\cdot Conv \cdot (\Delta i)^2 \\[6pt]
&= -3{,}6924 \cdot 0{,}005 + 0{,}5 \cdot 18{,}4775 \cdot (0{,}005)^2 \\[6pt]
&= -0{,}018462 + 0{,}000231 \\[6pt]
&= -0{,}018231 \quad \Rightarrow \quad -1{,}8231\%
\end{aligned}
\]

\[
\Delta P = -1{,}8231\% \times 927{,}90 \approx -16,92
\]

\[
P_{novo} = 927{,}90 – 16,92 \approx \mathbf{R\$\,910,98}
\]


🟢 Caso 2 — Queda de −0,50 p.p. \((\Delta i = -0{,}005)\)

\[
\begin{aligned}
\Delta P/P &= -3{,}6924 \cdot (-0{,}005) + 0{,}5 \cdot 18{,}4775 \cdot (0{,}005)^2 \\[6pt]
&= +0{,}018462 + 0{,}000231 \\[6pt]
&= +0{,}018693 \quad \Rightarrow \quad +1{,}8693\%
\end{aligned}
\]

\[
\Delta P = +1{,}8693\% \times 927{,}90 \approx +17,34
\]

\[
P_{novo} = 927{,}90 + 17,34 \approx \mathbf{R\$\,945,24}
\]

📊 gráfico 3 — Barras: Duration vs Duration+Convexidade vs Real

Como usar na prática

  • Comparar títulos: maior duration = maior sensibilidade.
  • Planejar liquidez: cuidado com durations longas se precisar do dinheiro antes do vencimento.
  • Ciclo de juros: em queda de juros, títulos longos se valorizam mais.

Insight

“Pense na duration como o termômetro (intensidade e direção) e na convexidade como o ajuste fino que aproxima a conta da realidade.”


Conclusão

A renda fixa não é fixa no meio do caminho. O preço varia com os juros. Com duration e convexidade você consegue prever essa variação, evitar sustos e até aproveitar oportunidades. Se levar até o vencimento, recebe a taxa contratada, se vender antes, o preço dependerá da marcação a mercado.

Introdução

Se você já investiu em Tesouro Direto, debêntures ou fundos de renda fixa, provavelmente notou que o valor aplicado nem sempre cresce em linha reta. Às vezes, até cai no extrato. Isso acontece por causa da marcação a mercado, uma regra que ajusta diariamente o preço dos ativos ao valor justo de negociação.

Com a queda da Selic em 2025 e as expectativas de juros futuros ainda voláteis, entender esse mecanismo é fundamental para não se assustar e, mais do que isso, para identificar oportunidades.


O que é marcação a mercado?

A marcação a mercado (MtM – Mark to Market) é a reavaliação diária do preço de um título ou ativo financeiro com base no valor que ele teria se fosse negociado hoje no mercado.

📌 Em resumo:

  • Se vender antes do vencimento, o preço segue o valor de mercado.

  • Se carregar até o vencimento, você recebe a taxa contratada na compra.


Por que a marcação a mercado é importante?

No Brasil, a CVM e a ANBIMA exigem que fundos e títulos sejam marcados a mercado para trazer transparência. Isso evita que investidores tenham uma visão distorcida do valor real de seus ativos.

👉 Para o investidor, isso significa que o extrato reflete o preço justo, mesmo que você não vá vender o ativo agora.


Como a marcação a mercado afeta sua carteira em 2025

📉 Quando os juros sobem

  • O preço dos títulos de renda fixa cai.

  • Isso acontece porque novos títulos passam a pagar taxas melhores.

📈 Quando os juros caem

  • O preço dos títulos sobe.

  • Seu título antigo fica mais valioso porque paga mais que os novos.

💡 Cenário atual: Com a Selic em queda, muitos títulos prefixados e IPCA+ estão se valorizando no mercado secundário. Isso tem beneficiado investidores que compraram com taxas mais altas em 2023–2024.


Exemplo prático

Imagine que você investiu R$ 10.000 em um Tesouro IPCA+ 2035 a IPCA + 6% a.a. em 2023.

  • Agora, em 2025, a mesma NTN-B pode estar sendo negociada a IPCA + 5% a.a..

  • Isso faz o valor de mercado do seu título subir, porque ele paga mais que os novos.

👉 Se vender hoje, você pode ter lucro antecipado.
👉 Se carregar até 2035, receberá exatamente a taxa contratada (IPCA + 6% a.a.).


Insight

“Muitos investidores confundem marcação a mercado com perda de dinheiro. Na prática, o que muda é o valor de negociação do título. Quem entende isso consegue usar o movimento a seu favor — comprando em momentos de estresse e até vendendo com ganho quando os juros caem.”


Como usar a marcação a mercado a seu favor

  • Planeje prazos: só invista em títulos longos com recursos que não vai precisar antes.

  • Aproveite oportunidades: juros altos podem ser chance de travar boas taxas.

  • Atenção aos fundos: mesmo sem vender, cotas de fundos de renda fixa variam com a MtM.

  • Diversifique: combine ações, renda fixa e derivativos para equilibrar riscos.


Conclusão

A marcação a mercado não é inimiga do investidor. Pelo contrário: é uma ferramenta que mostra o valor justo dos ativos e ajuda a tomar decisões mais conscientes.

No cenário atual do Brasil, com queda da Selic e expectativa de juros mais baixos no futuro, a MtM pode trazer valorização para títulos já contratados. Por isso, entender esse mecanismo é fundamental para aproveitar o momento e investir com estratégia.

Investir no Tesouro IPCA 2045 pode parecer uma decisão distante para alguns investidores, mas a busca por ativos que ofereçam segurança e retorno atrativos é sempre relevante. Quando se trata de investir, cada decisão conta. É como montar um quebra-cabeça financeiro, onde cada peça é crucial para o panorama geral da sua segurança financeira. Uma dessas peças importantes é o Tesouro IPCA 2045.

Neste artigo, vamos explorar os motivos pelos quais os investidores devem considerar seriamente a compra do Tesouro IPCA 2045, especialmente quando ele oferece um rendimento igual ou acima da inflação (IPCA) de 6% ao ano. Ao entender os benefícios que ele oferece, você estará mais preparado para tomar decisões financeiras sólidas e alcançar seus objetivos de longo prazo. Vamos analisar por que o Tesouro IPCA 2045 é uma escolha que merece ser considerada como parte essencial da sua estratégia de investimentos.

 

1. Proteção contra a Inflação: Uma das principais vantagens de investir no Tesouro IPCA 2045 é a proteção contra a inflação. Enquanto investimentos tradicionais podem perder valor com o tempo devido ao aumento dos preços, os títulos indexados ao IPCA garantem que o investidor preserve o poder de compra do seu dinheiro.

2. Rendimento Atrativo: O Tesouro IPCA 2045 oferece um rendimento anual equivalente à inflação (IPCA) mais uma taxa fixa. No caso mencionado, IPCA+6% ao ano. Esse rendimento é considerável, especialmente em um contexto de taxas de juros mais baixas em investimentos tradicionais, tornando-o uma opção interessante para quem busca retornos mais sólidos em seus investimentos.

3. Diversificação da Carteira: Diversificar os investimentos é uma estratégia fundamental para reduzir riscos. O Tesouro IPCA 2045 pode ser uma excelente adição a uma carteira de investimentos diversificada, especialmente para aqueles que buscam uma alocação mais conservadora, mas ainda desejam obter retornos significativos ao longo do tempo.

4. Horizonte de Investimento de Longo Prazo: O Tesouro IPCA 2045 é mais adequado para investidores com um horizonte de investimento de longo prazo. Embora seja um investimento de longo prazo, sua liquidez no mercado secundário permite que os investidores saiam da posição antes do vencimento se necessário, embora possa haver variações de preço.

5. Estabilidade e Segurança: Os títulos do Tesouro Direto são considerados um dos investimentos mais seguros disponíveis no mercado brasileiro. Eles são garantidos pelo Governo Federal, o que oferece aos investidores uma camada adicional de segurança em comparação com outros tipos de investimentos.

6. Alta possibilidade de marcação a mercado favorável: A relação entre a taxa de rendimento e o preço unitário (PU) de um título do Tesouro Direto, como o Tesouro IPCA 2045, é inversamente proporcional. Isso significa que, conforme a taxa de rendimento aumenta, o preço unitário do título diminui e vice-versa. Essa relação ocorre porque o preço unitário de um título do Tesouro Direto é calculado com base na taxa de rendimento oferecida pelo título. Quando a taxa de rendimento aumenta, o título se torna mais atrativo para os investidores, o que faz com que seu preço no mercado suba. Por outro lado, quando a taxa de rendimento diminui, o título se torna menos atrativo e seu preço no mercado cai.

Portanto, ao considerar a relação entre a taxa de rendimento e o preço unitário, os investidores devem estar cientes de que uma mudança em uma variável afetará a outra e, consequentemente, o valor do investimento. Isso pode influenciar as decisões de compra e venda de títulos do Tesouro Direto. Observe a imagem abaixo, onde a linha azul escuro representa o preço unitário (PU), já a linha azul claro representa o taxa de rendimento do título…

Fonte: Tesouro Direto

O Tesouro IPCA+ 2045 é uma opção atraente para investidores que buscam proteção contra a inflação, rendimentos atrativos, diversificação da carteira e estabilidade a longo prazo. Com um rendimento IPCA+6% ao ano, ele se destaca como uma escolha sólida para quem está disposto a investir pensando no futuro e na preservação do poder de compra ao longo do tempo ou até mesmo quem busca uma oportunidade para realizar marcação a mercado com o título, com as taxas nesse patamar as chances venda antecipada com ágio assim que os papeis voltarem a ser negociados abaixo de IPCA+5% são grandes… É sempre importante, no entanto, considerar o seu perfil de investidor e objetivos financeiros antes de tomar qualquer decisão de investimento.